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Primeira eleição pós-Eurico no Vasco tem polêmicas e batalha judicial


No fim deste ano, provavelmente na primeira quinzena de novembro, o sócio do Vasco será convocado para eleger o novo presidente do clube, desta vez sem a participação do icônico ex-mandatário Eurico Miranda, que faleceu em março do ano passado.

Mas quem pensa que o pleito transcorreria de maneira mais pacífica em 2020, se enganou. Mesmo ainda a dois meses da votação, o processo eleitoral já está cercado de polêmica e envolto em uma guerra judicial.

Diretas juntas ou separadas da reforma?

O grande “X” da questão este ano envolve as eleições diretas e a reforma do estatuto, aprovadas no Conselho Deliberativo. Uma corrente defende que as diretas precisavam ser inseridas dentro da proposta da reforma do estatuto no pleito da Assembleia Geral Extraordinária (AGE).

Outros, porém, interpretaram que os temas necessitavam ser votados separadamente, algo que gerou um movimento chamado de “Nova Resposta Histórica”, que recolheu pouco mais de mil assinaturas e que teve o propósito de convocar a AGE via Código Civil brasileiro, sem passar pelo Deliberativo do clube.

Mussa abraça a causa e gera guerra de liminares

Presidente da Assembleia Geral, Faues Cherene Jassus, o Mussa, entendeu que as diretas deveriam ser votadas separadamente, e então convocou a AGE desta forma, causando revolta e uma guerra de liminares na Justiça.

Opositores alegaram que o dirigente feriu o estatuto do clube com sua condução, e resolveram não só anular a Assembleia Geral Extraordinária como também punir Mussa. Uma nota conjunta foi assinada pelos presidentes dos conselhos Deliberativo (Roberto Monteiro), Fiscal (Edmilson Valentim) e de Beneméritos (Silvio Godói) repudiando a situação.

Uma comissão de inquérito foi formada e, por maioria de votos, indicou o afastamento do dirigente do cargo. Uma reunião do Conselho Deliberativo, então, foi convocada para votar a sugestão, mas Mussa foi “salvo pelo gongo” com uma liminar que garantiu a realização do pleito virtual no último domingo (30) e anulou as decisões internas.

Diretas aprovadas, mas sub júdice

Com a garantia judicial, Mussa realizou a AGE, mesmo tendo sofrido “boicotes” de integrantes da mesa diretora, que não compareceram por não concordarem com a condução do pleito. No total, 1.362 sócios votaram a favor das diretas, com 22 contra e seis em branco. Uma aprovação de 98%. Na ocasião, a votação sofreu ataques de hackers, mas conseguiu resistir e não foi afetada.

No entanto, na véspera, o desembargador André Emilio Ribeiro, no plantão do judiciário, concedeu liminar a dois sócios do clube e suspendeu os efeitos da AGE, colocando-a sub judice até que ela seja analisada pelo relator competente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

Campello não reconhece AGE

Presidente do clube, Alexandre Campello gravou um vídeo esta semana para enfatizar que não é contra a realização das eleições diretas, como insinuam os grupos políticos que foram a favor da realização da AGE no último domingo. O dirigente fez questão de dizer que iria registrar em cartório a promessa de não se candidatar na eleição do Conselho Deliberativo caso o pleito fosse feito de forma indireta.

Campello, porém, frisou que não concordou com a condução da Assembleia Geral Extraordinária feita por Mussa, criticando a escolha individual do dirigente pela empresa que comandou o pleito virtual.

O presidente vascaíno lembrou ainda que sugeriu a Mussa que a AGE fosse adiada para o dia 10 de setembro a fim de dar mais legalidade ao processo, e que se comprometeria em pedir ao Conselho Deliberativo que a eleição presidencial passasse para o início de dezembro com o intuito do novo mandatário ser conhecido ainda este ano, mas que não teve suas solicitações atendidas.

De que lado está cada um?

Com o imbróglio formado, um cenário já se desenha entre os que foram a favor ou contra a Assembleia Geral Extraordinária que aprovou as eleições diretas no último domingo.

Entre os que apoiaram a realização do pleito estão os grupos “Mais Vasco”, do pré-candidato Jorge Salgado, e o “Sempre Vasco”, que ainda não lançou seu nome, mas que novamente deverá lançar Julio Brant.

Campello, inclusive, insinuou que Mussa estaria trabalhando na Assembleia Geral a favor destes dois grupos, que são publicamente opositores de sua gestão.

Do lado contrário, que tem brigado por anular a AGE, estão os grupos Identidade Vasco (de Roberto Monteiro e Edmilson Valentim), Casaca e Fuzarca, muitos deles apoiadores do pré-candidato Luis Manuel Fernandes, que publicamente criticou a votação do último domingo.

Também pré-candidato, Nelson Medrado Dias sugeriu que apoiadores votassem pela aprovação das diretas, mas fez duras críticas a Mussa e a Campello. Ao primeiro, disse que o dirigente cometeu erros e que deveria pedir demissão do cargo.

O pré-candidato Fred Lopes já havia se manifestado anteriormente a favor das diretas e que elas fossem votadas separadamente da reforma do estatuto.

O pré-candidato Leven Siano não se manifestou publicamente sobre os últimos acontecimentos, mas anteriormente havia feito críticas a Mussa pela condução à frente da Assembleia Geral.

Embora ainda não tenha confirmado sua candidatura à reeleição, Alexandre Campello já se mostrou contrário, assim como os grupos que o apoiam.

Próximos passos

Em meio a toda polêmica, a Junta Deliberativa foi formada para dar prosseguimento ao rito eleitoral, desta vez com o propósito de definir a lista de sócios eleitores e elegíveis para a eleição presidencial, também conhecida como Assembleia Geral Ordinária (AGO).

Nos últimos dias, os integrantes foram a São Januário averiguar todas as fichas financeiras dos associados e as informações exigidas para tal. Ontem (3), a Junta novamente se reuniu de forma virtual e aprovou por quatro votos a um a lista. Mussa foi contra por entender que se demandava mais tempo para analisar os nomes. Ele sugeriu um novo encontro para semana que vem, depois do feriado, mas não teve o desejo atendido.

A lista teve poucas alterações em relação à da AGE. As mais significativas foram em relação à data de corte, incluindo os sócios de julho e agosto de 2019 bem como os elegíveis que participaram do pleito de 2017. Entre os não-recadastrados, 120 mortos foram excluídos do documento.

No total, o documento fechou com 7.981 associados, sendo 6.030 elegíveis. Hoje (4) ele será assinado e a tendência é a de que amanhã (5) seja publicado. Após este ato, o clube abre cinco dias para as impugnações. Ou seja, o sócio que não encontrar seu nome na lista e achar que está apto a participar do pleito, terá esse período para fazer esta reivindicação.

Na sequência, o processo passa pelo Conselho Fiscal até que a eleição seja convocada pelo presidente da Assembleia Geral.

Não custa lembrar, porém, que a validade da AGE ainda aguarda um parecer do relator do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

Fonte: UOL

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