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Conheça os detalhes do projeto de reforma de São Januário


Inaugurado em abril de 1927, o quase centenário e tradicional São Januário já apresenta sinais da idade. De olho no futuro e inspirado em outros clubes que passaram por processos parecidos, o Vasco planeja uma revitalização em sua casa. Por isso, a diretoria montou um projeto para ser apresentado aos poderes do clube.

O novo São Januário, que ficaria pronto em dois anos, teria 43 mil lugares, 7 mil cadeiras cativas, 120 camarotes, 1.300 vagas de estacionamento, 144 mil m² de área construída, três quadras poliesportivas, ginásio, parque aquático e clube social. A igreja seria mantida, com melhorias ao seu redor. O custo previsto para a obra é de R$ 250,9 milhões, que seriam arrecadados por um fundo de investimento – o Vasco, portanto, não teria riscos.

O presidente Alexandre Campello explicou como funcionaria a arrecadação, via fundo de investimento, para a revitalização de São Januário. E citou outros clubes grandes como exemplo a ser seguido pelo Vasco para, por exemplo, aumentar o número de sócios.

– Os dois times grandes do Sul têm mais de 100 mil sócios. São Paulo, Palmeiras e Corinthians têm mais de 100 mil. Flamengo tem mais de 100 mil. O Cruzeiro tem 80 mil. O Atlético tem algo em torno de 40. O estádio seria pago a partir de propriedades que o Vasco não tem hoje. A bilheteria continuaria com o Vasco. Então, o risco é do investidor e, para a gente conseguir fazer, remunerar esse fundo e pagar tudo o que tem de ser pago para dar retorno, seria necessária uma taxa de ocupação entre 55% e 65%. Essa taxa de ocupação varia de 19 a 23 mil de público – explicou o presidente.

O GloboEsporte.com teve acesso ao projeto apresentado pelo presidente Alexandre Campello ao Conselho de Beneméritos na última sexta-feira. Os conselheiros decidiram pela abertura de uma comissão para analisar as propostas e devem dar uma resposta em até 20 dias para que o assunto seja levado ao Conselho Deliberativo.

Veja, abaixo, com explicações do presidente Alexandre Campello, todos os detalhes das mudanças sugeridas pela diretoria e expostas no projeto montado e apresentado ao Conselho de Beneméritos:

Mudanças nas arquibancadas

– Manteria bastante do estádio de hoje. Manteríamos toda a fachada. Ao lado, construiríamos duas torres. Uma onde hoje são a presidência e a megaloja, e a outra na outra ponta. A parte curva, atrás do gol, seria demolida e seria construída uma arquibancada bem próxima ao campo para dar uma sensação maior de caldeirão, com 30 mil lugares em pé no estádio todo – explica Campello.

O espaço em que hoje não tem arquibancada, onde fica o placar, ganharia um novo setor para os torcedores. O que também sofreria alterações é o setor social.

– Da coluna para cima, tiraríamos aquelas cadeiras e colocaríamos elevadores, escadas, com três andares de camarotes. Atrás da coluna vão ter lounges, banheiros. E da coluna para frente três níveis de cadeiras (como nos camarotes do Nilton Santos) – completou.

O setor onde ficam as cabines de imprensa atualmente seria o menos mexido. Atrás dele, seria construída uma nova estrutura, onde ficariam os camarotes e o espaço para os jornalistas, que seria retirado de onde está atualmente.

Área externa

Para que o estacionamento com 1.300 vagas seja construído, a área externa (dentro da área total do complexo) de São Januário teria de passar por grandes alterações, também. Onde hoje é o campo anexo e uma das entradas para os torcedores seria construído um parque elevado, com uma Cruz de Malta no piso e espaço de sobra para circulação de torcedores.

A ideia é que, com a construção do novo centro de treinamento, o campo anexo seja retirado de São Januário – afinal, no CT haveria espaço suficiente para treinamentos de todas as categorias femininas e masculinas.

– Por fora, demoliria o ginásio, as quadras, o Caprres. Em toda essa área seria feito um patamar, com um pé direito alto. Embaixo seria estacionamento e em cima uma grande área de acesso. O torcedor subiria uma rampa para ter acesso – explica Campello.

Melhorias no acesso e no entorno

– Isso é o que estamos trabalhando para fazer. É uma ligação entre o metrô, que chega aqui, e o trem, que está aqui. Uma linha circular, que vai ali e volta. Acho que o ideal é circular todo esse entorno e não ter circulação de veículo. Uma outra linha circular pegando o Pavilhão de São Cristóvão e uma terceira na Cadeg (mercado localizado a 1,5 km do estádio), também no mesmo estilo – disse Campello.

Como pagar?

O projeto prevê que o pagamento seja realizado, via fundo de investimento, com fontes de geração de receitas que não existem hoje – camarotes e cadeiras cativas, por exemplo. O valor de R$ 250 milhões, que teria de ser pago em 20 anos, seria arrecadado da seguinte forma: 37% com cadeiras cativas, 27% com camarotes, 17% de participação em bilheteria, 8% em naming rights de setores e 11% com outras receitas (bares, restaurantes).

Na apresentação ao Conselho de Beneméritos, Campello escreveu que “a receita de bilheteria será do Vasco, sendo R$ 10 por pagante repassado aos investidores (Participação na Bilheteria) – a expectativa é um valor total de bilheteria de R$ 15 milhões, considerando 55% de ocupação média do estádio, sendo que R$ 6 milhões seriam repassados aos investidores”.

– O custo do investimento ficou estimado em R$ 250 ou R$ 260 milhões, e o custo por assento seria R$ 5.771,00. O custo no Beira-Rio, que vem logo antes da gente, foi de R$ 6.583,00. Temos uma área que já está pronta e queremos uma obra funcional, não luxuosa. Sempre existe risco em tudo na vida. O maior risco é não fazer. O Vasco vai continuar atrás e daqui a pouco está inalcançável – disse Campello.

Cadeiras cativas

O preço base para aquisição de cadeira nos setores Leste e Social foi estimado em R$ 3,2 mil por ano, e a taxa de ocupação prevista no projeto é de 55%. Assim, a receita anual seria de R$ 12,3 milhões por ano. Se a taxa de ocupação subir para 65%, também previsto na apresentação, a arrecadação sobe para R$ 14,55 milhões.

Para definir os possíveis valores, o Vasco levou em consideração outras arenas modernas do futebol brasileiro. Na Arena Grêmio, por exemplo, o maior valor de cadeira cativa é de R$ 5,2 mil; na do Palmeiras, é de R$ 5,1 mil. Há, também, locais com preços mais acessíveis, como a Arena Corinthians, o Mineirão e a Arena da Baixada: R$ 2,9 mil, R$ 1,2 mil e R$ 1,8 mil, respectivamente, por ano.

– É com essas cadeiras cativas que vamos pagar. Para pagar o financiamento, foram identificadas novas fontes de receitas. Nós não vamos fazer naming rights do estádio, só de setores, porque não queremos e não vamos mudar o nome. Vai ser São Januário – disse Campello.

Camarotes

Os preços anuais sugeridos para os camarotes são de R$ 120 mil no setor Social e R$ 100 mil no setor Leste – haveria, também, vendas avulsas para eventos, por R$ 6 mil e R$ 5 mil, respectivamente. A taxa de ocupação estimada nos dois setores é de 55% para as vendas por ano e de 7% a 10% para as compras avulsas.

De acordo com essa estimativa de ocupação, o Vasco projeta receber R$ 10,83 milhões por ano com camarotes. Os valores também estão dentro da média de outras arenas, como o Mineirão, que varia de R$ 90 a R$ 150 mil.

Bilheteria

Os ingressos passarão a ser divididos em três setores: Social, Norte e Sul. O projeto estima entradas a R$ 25 (setores Norte e Sul) e R$ 40 (setor Social). Com ocupação média de R$ 55%, a receita anual seria de R$ 14,4 milhões por ano – deste valor, R$ 5,4 milhões seriam repassados ao investidor.

Nos últimos anos, a ocupação média de São Januário passou de 22% em 2016 para 53% em 2018. A expectativa é de que, com uma nova arena, o número aumente – os estádios de Palmeiras e Corinthians, por exemplo, beiram os 70% de ocupação anual.

Projeção

Receita total estimada em 20 anos: R$ 787 milhões
Custos e despesas totais em 20 anos (sem contar a obra): R$ 80 milhões
Total de juros pagos em 20 anos: R$ 276 milhões
Custo da obra: R$ 250 milhões.
Rentabilidade ao fundo: de 7,6% a 9,17% ao ano.

– Fizemos uma demonstração financeira do que esses estádios, essas arenas, representam para cada um dos clubes. Mostramos a arrecadação, o aumento no número de público. É realmente significativo. O aumento de receita anual é bastante grande, relacionando isso ao programa de sócio torcedor. Se fizer um paralelo, os clubes que têm estádio moderno têm isso – completou Campello.

Fonte: GloboEsporte.com

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